Arjun Gupta fala sobre Penny, vulnerabilidade, podcasts e mais ao CarterMatt

Está gostando da jornada de The Magicians até agora? Nós achamos o show magnético e interessante ao longo dos três episódios, e dizemos isso com alguém não está nem mesmo familiarizado com o material original de Lev Grossman. Os leitores talvez estejam tendo reações em um nível completamente
diferente.

Nós tivemos a chance de conversar esta semana com o homem responsável por Penny, Arjun Gupta. O estudante de Brakebills é complicado, sombrio e certamente um personagem conflituoso, mas como Gupta diz, isso é parte da diversão de interpretá-lo. Nesta discussão falamos de como ele aborda Penny, a dinâmica entre Penny e Kady, sua jornada fazendo podcasts e alguns outros assuntos variados. Aproveite, claro, com o aviso de que há spoilers dos três primeiros episódios do show.
 

CarterMatt – Eu acho que todo ator tem uma maneira bem diferente de abordar o material, especialmente por ser algo assim assim, que já está lá para as pessoas digerirem. Você quis esperar para descobrir o que ia acontecer com o seu personagem ou você quis mergulhar nos livros imediatamente?

Eu não sabia sobre os livros quando eu fiz a audição para eles. Eu não sabia que já estavam no mundo. Eu fiz a audição e eu estava muito empolgado sobre o risco que aquele roteiro estava tomando. E com Penny, eu realmente gostei do papel. Penny é um personagem tão sombrio, foi uma extensão para mim de uma forma muito diferente. Eu sabia que eu não queria ler os livros, me apegar, mexer comigo antes das audições, mas depois que consegui o papel eu li os três livros em provavelmente uma semana. Eu realmente amei aqueles livros; eles são maravilhosas peças de literatura. Eu queria saber o máximo que pudesse sobre Penny. Eu queria ter informação suficiente para que pudesse criar o melhor arco do personagem durante toda a temporada. E também, conversar com [os produtores executivos] Sera [Gamble] e John [McNamara] e ver se nós estávamos todos na mesma página de onde esse personagem está vindo, o seu passado e pelo que ele se interessa. Eu só tentei casar essas coisas.
 

Eu imagino que seja muito divertido interpretar esse cara. Ele é muito intimidador, e ele também não é o prototípico cara bonzinho que fará tudo da forma certa. Como tem sido para você interpretá-lo?

Tem sido ótimo. Eu amo poder ir para o trabalho todo dia e entrar nesse mundo e nesse papel. Você acertou em cheio; ele possui muitas camadas, é um cara bem complexo. Uma das melhores coisas de interpretá-lo é como ele não tem remorso. A maioria de nós é apologética com relação a como fazemos as pessoas se sentirem, mas Penny não é nada apologético. Ele está constantemente testando as pessoas. Há uma armadilha com esse tipo de personagem em que ele pode sair como se fosse apenas um babaca, mas eu queria que isso viesse de um verdadeiro lugar de dor e um lugar enraizado de verdade. Muitas pessoas zangadas estão apenas [experimentando] dor e [estão] quebradas por dentro. Eu queria honrar isso de muitas formas.
 

Eu quero abordar a jornada do episódio passado, porque eu não li os livros e foi divertido ver Penny ir de “psíquico”, em uma cena particularmente engraçada, a descobrir que tem também a habilidade de “viajante”?

Eu lembro, eu estava um pouco confuso. Nós recebemos os três primeiros episódios junto. Foi o que nos mandaram. Eu tive a mesma reação que Penny, “o que? Eu sou apenas psíquico? Isso não parece certo” (risos). Então, quando eu cheguei no final do episódio, quando ele viajou, eu fiquei tipo “uau, isso é incrível”, porque abre muitas portas para onde podemos ir.  O que eu amo que John e Sera fizeram, e é algo divertido de fazer, é mostrar o quão relutante ele está. A forma que eu o criei, e John e Sera tem me apoiado nisso, é que ele vai para Brakebills para consertar o fato de que escuta vozes; ele não quer ouvi-las. Ele não vai para a escola de magia porque está animado como Quentin, ele está tentando consertar algo. Ele está tentando entender algo, e ele termina em um lugar mais profundo, é mais complexo. E então ele está apenas tipo “ah, porr*” (risos), “ótimo, mais”.
 

Como alguém que já fez muitos trabalhos em shows menos fantasiosos como ‘How to Get Away with Murder,’ houve alguma mudança que você teve que fazer neste show para reagir a coisas que nem sempre estavam lá?

Nós temos sorte que muitas das coisas que fazemos são práticas. Nós estamos colocando fogo em coisas o tempo todo, e tem pouca tela verde. Na verdade, o terceiro episódio foi uma das poucas vezes que nós usamos a tela verde, e isso porque eu estava na China e infelizmente eles não podiam me mandar para a China por causa daquela única cena. Essa foi uma das poucas vezes que eu tive que usar aquilo, e isso é muito útil como ator [estar na cena] porque você está certo, é útil ver a que você está reagindo. Para mim, o tipo de ator e artista que eu sou, é sobre transmitir a verdade. O que é bonito sobre os livros e o show é que estamos contando uma história sobre esses personagens e a magia se torna quase um plano de fundo. Para Penny, vai ser sempre sobre honrar a pessoa neste momento, [mesmo] se este momento possui circunstâncias extraordinárias ou sobrenaturais. Ainda há a verdade de estar perdido, ou de odiar alguém, de ofender alguém. É daí que vem minha preparação.
 

Vamos falar de Penny e Kady. Quais você acha que são os sentimentos dele com relação a ela?

Penny é alguém, o modo como eu o descrevo, que é como um cigano Americano que esteve sozinho por um longo período, e que aparecia no meio da cidade sem saber onde passar a noite. Mas ele encontraria a casa de uma mulher, ou de homem, quem sabe, e ficaria naquela casa. Eu não acho que ele tem relacionamentos íntimos em sua vida. Ele foi expulso de casa muito cedo e perdeu aquela sensação de segurança de seus pais, que deveriam ser as pessoas de quem você aprende, deveriam ser os modelos de segurança e intimidade.  Eu acho que com Katy neste momento, ele está confrontando pela primeira vez isso de “eu tenho sentimentos por essa pessoa? Ela me desafia, ela não se deixa intimidar por mim” o que é empolgante para ele. Então, novamente, ao mesmo tempo estar vulnerável é provavelmente a coisa mais terrificante para Penny. Ele ainda está testando se pode confiar nessa pessoa ou não. Vai ser divertido para você assistirem para onde isso vai, porque vai para lugares selvagens.
 

Neste sentindo que eu gostaria de ir agora. Você acha que ao longo do resto da temporada nós vamos ver Penny começar a quebrar alguns de seus muros e barreiras?

100%. É como uma montanha russa. Vamos dizer desta forma. Você verá muito o Penny.
 

O confronto entre Quentin e Penny foi dos momentos de maior ação do show. Isso é algo que você gostaria de fazer mais?

(Risos.) Este é apenas o começo. É divertido para onde John e Sera estão nos levando. Esta é a ponta do iceberg. Há muitas situações loucas em que nós somos jogados, e como eu disse, nós fazemos muitas coisas práticas. Eles tentam usar dublês o mínimo possível. Eu acho que isso é uma boa pequena dica.
 

Como eu disse, eu não li os livros e eu não sei o que acontece com Penny, mas há um paralelo engraçado na forma como você descreve o personagem indo de lugar em lugar e um ator indo de projeto em projeto. Ele talvez esteja criando algumas raízes em Brakebills, você espera criar algumas raízes com “The Magicians” e manter-se por aqui por um longo tempo?

Eu não poderia ser mais grato pela experiência. Eu trabalho com uma equipe maravilhosa em Vancouver. Alem de “Nurse Jackie”, eu nunca tinha trabalhado com uma equipe em que eu sentia que era uma grande parte da experiência e eram nossos colaboradores. Isso foi uma benção. Aquele tipo de ambiente é muito precioso e não é a normal, então é algo muito atrativo.  Mas o bom de ser ator e da vida que escolhi, é que eu consigo trabalhar em muitos projetos diferentes enquanto estou trabalhando lá e quando estamos fora de temporada. Nós filmamos por apenas 6 meses. Eu tenho uma companhia de teatro (Ammunition Theatre) que eu amo realizar trabalhos, e eu tenho um podcast que eu faço. Eu adoraria fazer mais filmes.
 

Vamos falar um pouco sobre o podcast, já que eu sou um pouco um cara de podcasts e escuto bastante. O que pessoas que não estão familiarizadas podem esperar ouvir?

É um podcast divertido. Meu amigo comediante, Akaash Singh, um dos meus amigos mais próximos e que é como um irmão para mim, nos começamos esse show porque queríamos fazer algo relacionando a rádio e nós nos divertimos juntos. Nós começamos esse podcast há alguns anos atrás, do meio para o final dos nossos vinte anos e nós falávamos sobre coisas que as pessoas falavam naquela época: identidade, quem você é, quem você está se tornando. Que tipo de adulto queremos ser. Muito daquilo estava ligado a quem nós somos, imigrantes de primeira geração de uma cultura enquanto vivemos em outra, como essas pessoas informam umas às outras, como lutam umas com as outras. Nós queríamos fazer um podcast chamado American Desis em que queríamos explorar o que significa ser sul-asiático hoje, nós queríamos apenas conversar com as pessoas em um ambiente bem casual e explorar os temas universais de vergonha, rejeição e vulnerabilidade, explorar como ser a melhor versão de nós mesmos no mundo. Então nós entrevistamos algumas pessoas incríveis uma vez por semana e compartilhamos suas histórias. Nós estamos tentando pintar uma tapeçaria de uma experiência que ainda não foi destacada na América.
 

Fonte: CarterMatt
Tradução e adaptação: The Magicians Brasil
Não reproduza sem os devidos créditos