Por que Eliot de The Magicians é o personagem que todos nós estivemos esperando

Se você ainda não começou a assistir The Magicians, então é melhor você melhorar. Baseada nos livros aclamados pela crítica de Lev Grossman, a série já está causando grandes ondas com os fãs – e já foi renovada para a segunda temporada! Enquanto o show se fundamenta em um reino místico, tenha certeza de que esta não é uma fantasia típica. Ela sem esforços inverte a narrativa do herói ao produzir personagens brutos com os quais a audiência pode se identificar. Nós tivemos a chance de sentar com a estrela do show, Hale Appleman, e ele nos contou tudo que você precisa saber sobre seu personagem extremamente complexo e empolgante, Eliot.

 

POPSUGAR: Primeiramente, eu só quero dizer que eu sou eu grande fã da série. O último episódio foi insano.
Hale Appleman: Honestamente, o episódio quatro é tão empolgante. Nos leva para um novo nível. Estou tão animado para todos verem. É tudo o que vou dizer. Eu pela primeira vez outra noite e eu não consegui dormir. O show visita um caminho completamente diferente com esse episódio. É um exemplo do que este show pode fazer que os outros não podem simplesmente por causa do conteúdo e do gênero, levando esse gênero a um novo nível.

PS: O que te levou a este papel?
HA: Bom, eu cresci amando fantasia, aventura, e coleções de livros de criança. Na época, eu estava em um lugar em LA em que eu não estava trabalhando e eu pensei “o que eu realmente quero fazer? Que tipo de papel seria empolgante para mim?” e eu meio que pensei sobre estar em um mundo de aventuras, mágico, fantástico e em um personagem poderoso e sofisticado, talvez até um pouco elegante. Isso pode até ter passado pela minha cabeça, e então eu consegui uma audição para o show logo depois. Na verdade eu estava lendo para Penny e Arjun Gupta para Eliot.

PS: Ah, uau. Isso é interessante!
HA: Sim, havia algo sobre a descrição do personagem que eu senti “ah, eu poderia ser esse personagem, uma certa versão dele.” Na sala, com a diretora de elenco, eu não senti que me encaixava perfeitamente e eu sabia que ela sentiu também. Ela olhou pra mim, ela me deu esse olhar e meio que assentiu, e eu estava como: “Ah, não é pra mim. O papel não é meu”. E então, quando eu estava lendo os livros eu encontrei Eliot e eu achei o personagem realmente empolgante e muito dinâmico. Ele é tão complexo e tão engraçado. E eu senti que se tivesse uma chance de ler para ele, eu sabia que eu poderia pelo menos tentar de forma bastante sólida. Eu sou incrivelmente grato apenas por fazer parte do show. Sinceramente, não passa despercebido por mim que é uma grande honra e também uma tremenda responsabilidade interpretar este papel porque ele não poderia ter existido na TV há 10 anos. Ele é um personagem queer em um show de fantasia, que são escassos, não são frequentes. E ele é poderoso. Ele se torna o maldito rei de Fillory e isso é tão empolgante.

PS: Você mencionou que leu os livros de antemão – você acha que há similaridades ou diferenças no seu personagem dos livros e da tela?
HA: Minha intenção é sempre honrar o personagem que Lev [Grossman] criou nos livros e minha maior preocupação, honestamente, é que os fãs dos livros vão me abraçar como esse personagem que eles imaginaram em suas cabeças. Há certas coisas que não são exatamente como nos livros, claro. Nós somos mais velhos, então eu acho que algo que talvez mude um pouco é a jornada de Eliot até esse ponto. No livro, Lev sugere muita escuridão e medo de seu passado e de onde ele realmente vem e tudo isso joga com o que eu espero estar fazendo no show, mas tem alguns anos extra. O passado pode ser mais sombrio do que imaginamos.

PS: Agora, Eliot é esse personagem animado que age quase como um mentor para Quentin. Quando você acha que vamos finalmente ter um vislumbre daquele lado sombrio dele?
HA: Eu acho que Eliot vê muito dele em Quentin. Acho que eles se parecem mais do que ele jamais admitiria. Eliot sente por dentro o que Quentin mostra por fora. Há um nerd rabugento, inseguro e vulnerável lá dentro e eu acho que você começa a ver frestas de onde ele veio por volta do episódio sete ou oito. Eliot está sempre tentando manter uma aparência forte. Ele está colocando essa máscara de sofisticação, total controle e confiança e segurança. O que eu amo que Sera Gamble e John McNamara estão fazendo para mim, e todos os personagens, é que eles estão nos jogando nessas situações em que somos forçados a confrontar esses aspectos de nós que não queremos. Eliot não quer confrontar sua vulnerabilidade. Eliot não quer confrontar seu passado. Eliot não quer pensar nisso, olhar pra isso, ou sentir muito qualquer coisa. Ele é forçado a confrontar seu passado e seu coração, que são duas coisas sobre as quais ele não quer falar, e isso é realmente fascinante.

PS: Eu também queria falar sobre os diferentes aspectos da fantasia no show. Você mencionou “As Crônicas de Nárnia” e essa foi uma das principais coisas que eu pensei quando assisti pela primeira vez, mas muitas pessoas também tem comparado a um Harry Potter adulto. Quais você acha que são as similaridades e diferenças?
HA: Eu acho que com The Magicians, influências de Harry Potter e Narnia obviamente estão lá. Eu acho que para Lev, C.S. Lewis foi uma grande inspiração de sua infância. Eu sei que Memórias de Brideshead é um livro pelo qual ele tem uma incrível afeição e ele teve certas influências estruturais que ele trouxe para The Magicians. E tem algo na relação Eliot-Quentin que meio que espelha ou foi inspirado pelo romance de Evelyn Waugh. Mas em termos do gênero de fantasia, eu acho que The Magicians leva essas ideias convencionais dessa literatura cristã de bom versus mau, a chacoalha, e faz uma questão mais profunda, mais sombria sobre a natureza não só da humanidade em face ao bom versus mau, mas aos desafios do dia a dia. E eu acho que há algo incrivelmente conveniente sobre isso e com o que qualquer um que está crescendo pode se identificar. Porque todos nós estamos crescendo. Nós estamos todos evoluindo constantemente.

PS: Como você espera que Eliot inspire os outros?
HA: Eu acho que de certa forma Eliot não é necessariamente o melhor exemplo, mas também acho que em muitos aspectos ele é. Eu acho que o fato de que ele é quem ele é em um mundo de fantasia é inspirador por si só. Eu espero que os fãs se inspirem em sua habilidade de ser ele mesmo e também de ser indefinido. Ele existe fora de categorização. Ele não adere à uma ideia limitante de quem ele é e é isso que eu amo sobre ele.

 

Fonte: Popsugar