Review: Episódio 2.02 “Hot Spa Potions”

The Magicians 2.02 – “Hotel Spa Potions”

“The Magicians” é uma série que como um grande quebra-cabeça preocupa-se em encaixar as pequenas peças para assim revelar o todo. É comum então que os episódios sigam um determinado padrão: uma trama paralela com resolução imediata no mesmo capítulo ( Quentin internado, Alice e o desaparecimento do seu irmão, torneio do magos e etc) mas que contribui para o desenvolvimento da trama principal que aos poucos é revelada (Fillory e A Besta). Apesar de alguns desvios, os roteiristas decidem apostar novamente neste formato no segundo episódio desta nova temporada “Hot Spa Potions” e o resultado é um dos melhores episódios da série.

Quentin, Alice, Margo e Penny retornam a Brakebills em busca de um feitiço de batalha que pode ajudá-los a derrotar a Besta.  Tenho que admitir que é reconfortante ver o reitor Fogg e os demais personagens do núcleo de Brakebills, foi uma mudança extremamente necessária após diversos episódios situados exclusivamente no mundo (esquisito) de Fillory. A procura do feitiço é recheada de momentos hilários na biblioteca e finalmente temos a introdução dos cacodêmonios na série, além de ressaltar os conflitos pessoais de alguns personagens: Penny e suas mãos que se recusam a obedecê-lo e coloca Alice no papel principal na luta contra a Besta ao ser considerada a única capaz de conjurar o feitiço. Falando nele….

Martin já pode ser considerado um dos vilões mais carismáticos da tv atualmente e todos os seus momentos musicais foram impressionantes pela capacidade vocal do ator Charles Mesure. Julia foi uma das personagens que mais sofreu durante a série e a união tão improvável com Martin parece agora uma decisão mais que acertada ao trazer um certo humor negro para um núcleo que normalmente é tão sombrio. Mas considerando a “parceria” com Marina  e a constante oferta de Martin em retirar o spectro de Julia, não vejo como isto pode acabar bem. Por incrível que pareça não foi Martin que protagonizou um dos momentos mais estranhos do episódio, mas sim Julia e Quentin. É difícil acreditar que o reencontro dos dois tenha ocorrido com tanta naturalidade após Julia simplesmente ter se aliado com A Besta após o assassinato de seus colegas que só foram salvos graças aos poderes de Alice. Os diálogos não refletiram o verdadeiro peso que esta mudança ocasionou na relação dos dois, apesar das ótimas performances de Jason Ralph e Stella Maeve que se esforçavam para transmitir que há muito mais ressentimento entre as palavras trocadas pelos antigos melhores amigos.

Elliot continua sendo uma força natural na série e, mesmo com uma trama envolvendo esterco, é um dos pontos altos do episódio. Fillory parece cada vez mais um inferno pessoal para ele que passou tanto tempo criando uma persona para si, mas que lá é obrigado a enfrentar facetas de sua personalidade que tanto escondeu. A trama envolvendo os seus deveres reais como marido foi hilária, mas além de alívio cômico serviu para expandir o conhecimento que temos da sociedade de Fillory e seu funcionamento ( que me parece bem conservadora, por sinal. Não há gays em Fillory ou a Rainha é realmente muito inocente?).

É interessante notar que todos os conflitos apresentados foram solucionados neste episódio. Ainda assim, há diversos indícios das histórias que se tornarão cada vez mais importantes ao longo da temporada ( o espectro de Julia, o verdadeiro alcance do poder de Alice e uma resolução definitiva para as mãos de Penny, como exemplos). Com ritmo frenético, “Hot Spa Potions” mostra que moldado em sua própria fórmula é onde The Magicians está mais confortável para quebrar paradigmas e surpreender.