Sera Gamble discute cena controvérsia da season finale, planos para a segunda temporada e mais

Aviso: este artigo contém spoilers da season finale de The Magicians, “Have You Brought Me Little Cakes”

The Magicians nunca se esquivou de distribuir suspense aos telespectadores ao longo da primeira temporada. Mantendo-se alinhada à visão da trilogia de Lev Grossman, a série flutuou da luz para a escuridão, enquanto abordava assuntos pesados como a depressão.

Na season finale de segunda-feira, todas as apostas estavam fora da mesa com Quentin (Jason Ralph) e Julia (Stella Maeve) finalmente reunidos para parar A Besta em Fillory, com resultados desastrosos.

Ao final do episódio, Alice (Olivia Taylor Dudley) estava à beira enquanto Penny (Arjun Gupta) foi deixado com as mãos serradas e o resto da gangue precariamente oscilando para a morte após ser revelado que Martin é de fato A Besta. No fim, foi Julia com todo o poder graças ao seu recente abuso por um deus trapaceiro que a forçou a fazer um acordo com o monstro enquanto os outros sangravam.

Descubra onde os escritores quiseram se desviar do livro e para onde estão direcionando a segunda temporada.

Começar a finale com um tom mais leve antes de entrar em assuntos tão pesados foi uma jogada consciente?

Você não espera trevas na finale quando começa o episódio; é algo que acontece com bastante frequência com The Magicians. Nós tentamos aproveitar as coisas leves e não apenas focar profundamente na escuridão o tempo todo. O show é definitivamente ambas coisas, então nós tentamos estruturar os episódios de forma que possamos permitir que o nosso público realmente esteja ali por todos os tons.

Esse foi o final que vocês sempre tiveram em mente para a primeira temporada? E como você decidiu onde se desviar dos livros?

Sim. Esse era o plano que tínhamos para como a temporada terminaria quando começamos a trabalhar nela. Não é que nós sentamos e dissemos, “o que nós vamos mudar”, nós todos nos sentamos amando a história dos livros e querendo trazer seu espírito à vida. Muitas das mudanças começaram a acontecer porque estávamos contando a história de Quentin e Julia simultaneamente. Quando você lê os livros, Julia desaparece durante grande parte do livro um, em seguida volta e conta a história do que ela estava fazendo durante aquele período. Nós estamos contando a história toda ao mesmo tempo. Elas acontecem cronologicamente e nós queríamos realmente explorar o que é entrar em Brakebills e como é não entrar. Isso mudou a história e o plot. Nós tentamos atingir todos os maiores pontos da trilogia, mas nem sempre chegamos lá da mesma forma.

Para Quentin, há volta da traição da Julia?

É um grande problema. Ela tem uma pauta diferente do que o resto deles tem. Foi ela que participou do ritual que soltou o monstro. Então é compreensível que ela esteja no estado de espírito em que está. Ela fez a escolha perfeita? Havia outros caminhos que ela poderia ter percorrido? Claro. E isso se desdobrará extensivamente na segunda temporada.

Que tipo de papel Reynard the Fox e os outros deuses terão na segunda temporada?

Os deuses em nossa história me fascinam. Nesta season finale você conhece dois do que podem ser chamados de deuses locais, este deus na Terra, Reynard the Fox que é um embusteiro e extremamente malévolo, e o deus de Fillory, Ember. Ele não é tão ativamente malévolo, mas certamente não está em contato com as nuances dos seres humanos. Isso abre uma porta para mais história sobre ambos e outros deuses também.

Que tipo de conversas vocês tiveram antes da cena do abuso sexual sofrido por Julia?

É uma coisa complicada de retratar, e é muito afetante quando você lê nos livros. Na sala dos escritores, nós falamos sobre o quão comovidos e perturbados isso nos deixou. Nós também falamos bastante sobre como meio que fazia sentido que Lev Grossman, como escritor, fosse tão real com o tipo de coisa que se lê na mitologia grega. Eu amava todas aquelas histórias quando era criança. Eu estava na escola lendo aqueles grandes livros de mitologia grega em muitas histórias havia um deus vindo pra cá e violando uma mulher, uma ninfa ou uma dríade, e eu nunca percebi… Não é traduzido nessas curtas histórias o quão brutal e violento esse ato é de fato. O que Lev faz, e o que nós herdamos e fazemos no show, é tornar isso real e falar sobre o que a verdade humana dessas histórias é. E contá-las de uma forma adulta. Então esse era o nosso objetivo com aquela cena, ser inflexível e adulta e muito, muito específica sobre a experiência dessa personagem que passamos a conhecer tão bem.

Que tipos de discussões vocês tiveram sobre retratar sexualidade no show em geral? Por um lado é muito fluido, por outro há personagens tomando frascos de sêmen.

Eu não sei se tomar um frasco de sêmen teve algo a ver com sexualidade — aquilo é movimento de poder. É totalmente repugnante, não seria minha primeira escolha para aumentar meu poder. Mas não me parece um momento que tem muito a ver com sexo no sentido tradicional.

Nós tentamos ser honestos sobre sexualidade e definitivamente uma das coisas divertidas sobre este show é que você tem este grande punhado de personagens, todos na casa dos vinte anos, que é um período em que você está se tornando sexualmente ativo e entrando em sua identidade.  Também pode incluir muitas experiências. Certamente foi assim para alguns dos escritores que eu não revelarei os nomes. Nós tentamos fazer com que não seja uma grande coisa porque eu não acho que experimentar sua sexualidade seja uma grande coisa no ano de 2016. It certainly did for some of the writers in the writers’ room that I will let remain nameless. We try to make it not a huge deal because I don’t think it is a huge deal to experiment with your sexuality in the year 2016. Talvez seja parte de um rito de passagem para a idade adulta.

Vocês discutiram maneiras para Alice continuar com essa história dado seu fim nos livros?

Sim. E nós falamos muito sobre aquela seção do livro e sobre o futuro da personagem. Sem spoilers, nós amamos as histórias dos livros e tentamos capturar o espírito das histórias. Nós talvez contemos algumas coisas da mesma forma e outras diferentemente.

É possível praticar mágica sem as mãos?

Essa é a grande questão para Penny porque não foi assim que ele ou qualquer mago que ele conheça foi treinado. Nós demos a ele um feitiço tatuado em seus dedos dois segundos antes de suas mãos serem arrancadas, o que é meio que emblemático da merd* pela qual Penn passou. Mas todo mago em nossa história aprendeu a fazer magia com feitiços com os dedos e essa certamente será a pergunta de Penny se ele sobreviver.

Vocês já conversaram sobre de onde partir na segunda temporada?

Nós acabamos de começar recentemente. Estamos todos lá jogando nossas ideias mais insanas e nós vamos partir de um final um tanto quanto severo.  Então lidar com o que acontece em seguida será provavelmente a primeira coisa que faremos na segunda temporada. Mas temos sorte neste show porque temos uma riqueza de material – três livros – para extrair. Eu certamente já estive em series onde nós não tínhamos como abrir uma passagem que nos lembramos de um livro e falar sobre como construir uma história a partir disso.  Então estamos nos divertindo na sala dos escritores. Tudo ainda está na mesa agora.

Que tipo de personagem Fillory será na segunda temporada?

Será um personagem psicótico. É uma das coisas realmente divertidas sobre a segunda temporada. No pilot da primeira, você teve um vislumbre de Fillory e nós brincamos com pequenos pedaços dela e finalmente a vimos na season finale, mas isso ainda é simplesmente uma pequena esquina de Fillory. Nós passamos a maior parte do tempo na season finale com essa família que vive no campo e ainda não chegamos à corte. A única parte do castelo que vimos foi o calabouço. Então nós temos falado sobre isso e nos aprofundado em como são as diferentes áreas de Fillory. Com sorte, nós filmamos em Vancouver, que nos provém com bastante beleza natural. Se não estivéssemos em um lugar onde você pode sair e apontar a câmera para uma natureza linda, estaríamos mortos antes de começar.

 

The Hollywood Reporter