Sera Gamble fala sobre “finger tutting”: movimentos dos dedos para lançamento de feitiços

Taylor Swift e Samsung têm usado o movimento da dança urbana para vender música e telefones. Agora, a dança com dedos (finger tutting) está sendo usado para fazer magia.

Varinhas mágicas estão tão fora de moda.

Qualquer mago de verdade — você sabe, aqueles que conseguem fazer mágica mesmo — manipula seus dedos em posições incrivelmente intrincadas para lançar seus feitiços. Na altura em que já dominam essas habilidades, magos podem reconhecer um ao outro em um mar de trouxas pelas suas mãos musculosas. Essa extravagância lunática de uma das trilogias mais vendidas, The Magicians de Lev Grossman, criou um ligeiro obstáculo visual para os produtores adaptarem os livros para a série do canal Syfy. Recentemente renovada para a segunda temporada, o drama sombrio segue um grupo de estudantes aproveitando a traiçoeira oportunidade de aperfeiçoar suas habilidades mágicas na Escola Preparatória de Magia Brakebills.

“A ideia de aprender magia através de posições dos dedos intrincadas e difíceis está nos livros de Lev Grossman,” diz a produtora executiva Sera Gamble. “Quando você chega à Brakebills, lhe são entregues pilhas de livros que são como études para as mãos — quase como livros de prática para pianistas. Nós estávamos tentando decidir como fazer isso visualmente, quando o assiste de John McNamara [produtor executivo], Jay Gard, disse, ‘vocês já viram os finger tutters no YouTube?'”

Tutting, uma dança de movimentos angulares do hip-hop através das mãos e jogo de braço, tem suas origens no funk de 1970. Mas finger tutting, que envolve entrelaçar os dedos intricadamente, chamou atenção recentemente em um comercial do celular Samsung Galaxy SII, com a participação do mestre em finger tutting, JayFunk, e o vídeo de Taylor Swift, “Shake It Off“, que contou com John “Pnut” Hunt depois que seu vídeo de finger tutting“Greasy Fingers”, tournou-se viral. “Foram muito inspiradores para nós,” diz Gamble.

“Não era tão tendência, ainda parecia fresco, mas conhecido mundialmente o suficiente para que as chamadas de elenco nas locações de New Orleans e Vancouver para dançarinos interpretarem estudantes de Brakebills praticando feitiços atraiu tutters talentosos.”

Para os atores, a produção listou os coreógrafos Paul Becker e Kevin Li (que apareceu no episódio quarto como o assistente do diretor) para criar um vídeo com instruções passo a passo para movimentação dos dedos de forma a se encaixar nos tipos de feitiços, e habilidades do ator. Eles também estavam no set para ajudar com os movimentos.

Para criar sua linguagem mágica, os produtores queriam que o sabor de feitiço variasse entre os personagens e refletisse seu passado e nível mágico. Por sua vez, os atores traduziram a dificuldade e a frustração em dominar os movimentos de tutting para as tentativas de seus personagens dominarem os feitiços.

“A linha de pensamento dos livros é que magia é muito difícil,” diz Gamble. “A prática não vem tão fácil quanto você quer. É muito inconsciente, árdua, e até mesmo, às vezes, chata. Os atores terem que aprender essa habilidade nova que é muito difícil e estranha acabou sendo útil no desenvolvimento de seus personagens.”

Todo episódio requer de 8 a 10 tuts, e esses movimentos precisa transmitir o significado por trás do feitiço. Becker e Li passaram um dia ou dois (ou viraram noites em pedidos de última hora) coreografando sequências — ajustando-os de acordo com as notas da produção — antes de gravava-los e enviá-los para os atores ensaiarem.

“Algumas das notas que os produtores nos deram eram bem profundas,” ri Becker. “Geralmente há uma história de fundo para cada feitiço e movimento. Eles podem parecer coisas pequenas, de segundos, mas na verdade exigem muito. Os atores tem que sentar em uma mesa e fazê-los repetidamente até acertarem,” ele adiciona. “É tão complicado, porque são movimentos tão pequenos, e ninguém está acostumado a mover os dedos daquela forma. Exige boas habilidades motoras e é diferente do que memorizar uma dança com o seu corpo inteiro. Mexe mais com a sua mente.”

Para Gamble, os tutters adicionaram um novo ingrediente à colaboração. “Especialmente em um show de fantasia, uma grande parte do nosso trabalho é construir mundos,” ela diz. “Nós queremos que o mundo que criamos em The Magicians seja específico, real, e detalhado o suficiente para que conforme o tempo passe pareça genuíno. Nós fazemos o máximo que conseguimos no roteiro, e então os atores e figurinistas adicionam a isso. Tutting é outra forma de colocar o selo de The Magicians nesta faceta da magia, fazendo com que seja diferente de qualquer outro show ou filme de mágica que você já tenha visto.”

“Cada nova história na série traz problemas mágicos e oportunidades de inventar coisas novas que estruturam esse mundo”, diz Gamble. “De um episódio para o outro, nós acabamos nos perguntando questões da história que possam produzir substâncias mágicas, ou um aperto de mão secreto. Mas em termos de uma linguagem coesa, o tutting tem sido o mais interessante.”

 

Fonte: Co.Create