THR: Produtora de ‘The Magicians’ fala sobre mudanças chocantes, métodos suspeitos de Marina e o futuro de Julia.

“Era algo que queríamos fazer cedo” diz a criadora, Sera Gamble ao The Hollywood Reporter, “enquanto todo mundo ainda está aprendendo as regras da série. ”.

 

[Aviso: Este texto contém spoilers do quarto episódio de The Magicians, “The World in the Walls”]

 

Justamente quando o público pensou que estava se estabelecendo no mundo mágico de The Magicians e Brakebills, os escritores mudaram as coisas nesta segunda ao nos inserir no horrível hospital psiquiátrico situado no episódio “The Word in The Walls. ”

Nele, Quentin se encontra preso no hospital em que nós o conhecemos, forçando os espectadores a questionar se a escola esteve o tempo toda na cabeça do personagem. No fim, acabou que era um feitiço elaboradíssimo feito por Julia (Stella Maeve) e sua mentora Marina (Kacey Rohl), que só tinha olhos em suas lembranças que estavam na instituição desde que ela havia sido expulsa.

Infelizmente para ela, Julia teve seu coração tocado no final do episódio quando ela viu o que o feitiço estava fazendo com Quentin, e foi direto ao reitor (Rick Woethy). Esse passo não só a colocou fora do círculo da Marina, mas também a colocou sozinha novamente com seus poderes mágicos recém adquiridos, mas ainda não totalmente lapidados.

Para descobrir o que está por vir para Julia, Quentin, Marina e os outros, THR encontrou com a criadora Sera Gamble. Aqui, ela fala sobre aquele número mágico da Taylor Swift, sobre manter-se fiel ao tema da depressão presente nos livros e a criação daquele episódio “enlouquecedor”.

 

Este episódio teve uma configuração e um tom diferente – esta era a intenção dos roteiristas?

Tinha uma ideia para um episódio que [diretor executivo] John McNamara lançou antes mesmo da série ser escolhida. Eu acho que foi no nosso documento de série original que compartilhamos com o Syfy. Nós pensamos que seria uma boa oportunidade de fazer um episódio como esse, tendo em vista que quando você conhece o personagem principal, ele é paciente em um hospital psiquiátrico. Esse é um conceito clássico de fantasia essencialmente, quando você convida o público para questionar qual realidade é a “real realidade”. Nós tivemos todos os ingredientes e isso era algo que nós queríamos antes mesmo dos espectadores ficarem confortáveis com o mundo, enquanto todo mundo ainda está aprendendo as regras da série. Nós queríamos mudar tudo.

 

Teve algum debate relativo a manter essa questão mesmo depois do episódio?

Seria divertido, como experimentação, tentar alonga-la por mais tempo, mas essa foi a forma orgânica como a série se desenvolveu. Foi o casamento da ideia de Quentin questionando a sua realidade e questionando se magia era real. E isso também se encaixou muito bem com onde estávamos no enredo da Julia e sua educação como uma bruxa fitoterápica e cada vez mais, Marina revelando que tipo de mágica eles realmente fazem. E tem o que está acontecendo no relacionamento entre Julia e Quentin. Existe muita raiva por baixo dos panos e muitos assuntos não resolvidos. Esse é o episódio em que ela ataca de alguma forma.

 

Como foi isso da dança da Taylor Swift se encaixar perfeitamente aqui?

No nosso caso, o motivo pelo qual isso funcionou foi porque John estava escrevendo o episódio. Era parte da trama, algo que fez sentido para nós. Quentin sabe que Penny (Arjun Gupta) pode ouvir essa música “chiclete” que está na sua cabeça, e porque Quentin é esperto, ele decide usar isso para tentar ajuda-lo a escapar. Mas, o que começou como uma piada rapidamente se tornou sério na sala dos roteiristas. A música ficou na cabeça de todo mundo. John, que é aficionado por musicais, teve um bom número de boas referências, ele queria construir isso dentro do episódio e ele foi bem especifico e confiante sobre o tom que a cena deveria ter.

 

Julia foi bem fundo no lado negro neste episódio. Isso seria um potencial motivo para ela não ter entrado para Brakebills?

É uma possibilidade. Coisas como sua estabilidade enquanto pessoa, às vezes pesa na hora em que a instituição decide convidar ou não uma pessoa com certo nível de aptidão mágica. Os personagens vão realmente pensar sobre o que Julia fez essa temporada, e vão dizer: “ Talvez tenha sido por causa do seu comportamento que você não foi selecionada”. Seja verdade ou não, algo realmente frustrante para ela é que ela não tem ideia. As regras parecem arbitrárias ou subjetivas. Não é como se fosse olhasse para alguém como Kady ou Penny e dissesse, “Eles são pessoas bem equilibradas e calmas. ” Seria um pouco injusto se fosse um critério; pareceria super injusto com Julia.

 

Será que Quentin vai encontrar um novo respeito por Julia, ou talvez ser mais, simpático?

As duas alternativas são verdadeiras. A história sobre o que acontece com a amizade deles, neste ponto da série, é que ambos ultrapassam limites e dizem aquele tipo de coisas que não podem ser retiradas. Talvez eles estejam sendo verdadeiros, mas eles estão ferindo o relacionamento permanentemente e os dois, meio que fizeram isso. Nós estamos tentando contar a história de dois seres humanos imperfeitos, que são amigos, e a dificuldade que estão enfrentando ao crescer quando amigos de infância, às vezes, se afastam. Nós tomamos cuidado para não deixar nenhum dos dois impunes. Os dois fazem coisas que não deveriam, os dois cometem erros. Eles nunca estiveram em uma situação como essa, e é tudo realmente novo para eles, e estão provavelmente fazendo o melhor que podem, mas às vezes, eles tomam decisões ruins. Essa não é uma boa decisão da parte da Julia.

 

Agora que a Marina também expulsou a Julia, onde ela pode ir a partir daqui?

Esse é um ponto. Uma coisa interessante que acontece com a Julia esse episódio é que ela segue a Marina até certo ponto, mas Marina está disposta a colocar Quentin numa situação que Julia definitivamente não está.   Isso prova a Maria que ela não é o tipo de bruxa que ela quer por perto, ela não é alguém que Marina pode confiar. Julia que a sua magia e ela está tendo muito trabalho para conseguir – não está sendo entregue a ela em nenhum nível e toda vez que ela pensa que encontrou o caminho para se tornar uma grande maga que ela pode ser, isso é tirado dela. Ela está sendo levada ao limite. O próximo para ela é descobrir onde ela deveria ir em seguida.

 

Marina agora está com a sua memória completa de volta, que tipo de perigo ela pode apresentar?

Ela é perigosa? Eu não sei. Eu a vejo como alguém muito esperto, ambicioso e experiente. Eu não acho que ela é uma daquelas pessoas que vão simplesmente explodir coisas por aí, pelo bem dela. Ela tem planos a longo prazo e ela é bem sagaz. Certamente, a moral de Marina é bem suspeita, mas de certa forma ela é uma boa escolha, porque avalia cada situação cuidadosamente. Ela não tem uma rede de segurança de qualquer tipo e ela não tem o luxo de ter um grande círculo social de colegas ou mentores. Eu olho para e vejo essa mulher que fez a si mesma. E seria redutivo e talvez incorreto vê-la como má simplesmente.

 

Com esse episódio na manga, como você está procurando lidar com a depressão mais à frente?

É inerente ao personagem de Quentin, não só nele, mas em diversos personagens na série. Quentin é alguém que se sentiu completamente deslocado e mal-entendido, como se ele não pudesse achar seu caminho na vida, isso tem sido uma característica definitiva do começo dos 20 anos. É por isso que ele está em um hospital psiquiátrico assim que o conhecemos. Nós conversamos muito na sala de roteiristas, sobre como e quando descobrimos a coisa que mais amamos – para a maioria de nós foi a escrita – isso realmente nos deu um certo foco e uma sustentação. Não consertou as nossas vidas, não resolveu todos os nossos problemas ou curou toda nossa depressão e ansiedade, nem nosso desconforto geral com a vida, mas tem um período de lua de mel e Quentin está tendo esse tempo agora. A medida que progredimos com a história, nós começamos a ver como ele é quando volta ao seu ponto definitivo, quando se torna um Quentin acostumado a fazer mágica, ou a novidade e a maravilha daquilo têm advertido pouco. Para alguém assim, a depressão entra no jogo.

Fonte: The Hollywood Reporter
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