Z STREAM BOX: Sera Gamble, produtora de The Magicians, fala sobre as regras da magia

A nova série do Syfy, The Magicians lançada em janeiro, baseada nos livros de Lev Grossman, conta a história de um grupo de jovens mágicos da universidade de Brakebills em Nova York. Nossos estudantes incluem Quentin (Jason Ralph), Alice (Olivia Taylor Dudley), Kady (Jade Taylor), Penny (Arjun Gupta), Margo (Summer Bilshil), Julia (Stella Maeve) e Eliot (Hale Appleman). Na festa da NBC Network para a Television Critics Association, eu conheci a criadora de The Magicians (e antiga criadora de Supernatural) Sera Gamble. Ela explicou algumas das regras para mágicas e feitiços que nós veremos nos futuros episódios de The Magicians. Descubra o que aprendemos após esse encontro.

 

Z Stream Box: É parte do seu trabalho fazer a mágica ser legal de novo?

Sera Gamble: Já foi não legal?

Z: Nós não vimos muito disso por um tempo.

Gamble: É engraçado porque eu sou uma fã desse tipo de história, então eu acho que procuro por isso. Eu encontro tudo que posso. Eu estou ciente de toda série que eu acho que lança feitiços e etc. Eu acho que nosso maior objetivo foi fazer uma mágica especifica, fazer de forma bem pessoal e usar isso para contar uma história bem contemporânea. Então se isso faz com que seja legal, eu estou feliz.

Z: O quão especificas são as regras de mágica do The Magicians?

Gamble: Muito especificas. O acontece quando você começa a escrever uma série de TV de fantasia, é que no começo, seu mundo é bem aberto, mas cada vez que você decide como algo funciona, você cria uma regra e agora é colocada uma pedra e você tem que seguir aquela regra durante toda a vida da série. Nós somos sortudos que muitas das especificidades tenham sido testadas duramente pelo Lev Grossman em sua triologia. Então, nós herdamos um monte de trabalho inicial em que ele se esforçou para descobrir como nosso mundo funciona.

Z: A primeira temporada é o primeiro livro, ou ainda menos que isso?

Gamble: Em uma pincelada muito ampla, sim, mas nós pegamos um pouco do segundo livro também. Julia é meio que distante no primeiro livro. Ela desaparece por um tempo. Quando ela volta, está bem mudada e você não sabe o que realmente aconteceu com ela até o segundo livro. Nós decidimos contar as histórias ao mesmo tempo, então estamos trabalhando com as duas simultaneamente.

Z: Quando você leu os livros?

Gamble: Eu os li há alguns anos atrás. Amazon recomendou para mim porque eu havia lido muita coisa parecida. Eu me apaixonei, eu liguei para o meu agente quando estava no meio do livro, e disse “Tem alguma chance de isso estar disponível, e eu pudesse tentar escrevê-lo como uma série de TV? ” Ele disse, “Não, não está disponível. Alguém já está desenvolvendo isso. ” Eu disse, “Só me deixe ver onde isso vai dar. ” Anos depois, os livros foram trazidos em um encontro que eu estava tendo com John McNamara, meu parceiro de escrita, e Michael London, nosso produtor executivo. Eu saltei da cadeira assim que ouvi as palavras “The Magicians”, eu amava já amava os livros há anos.

Z: Isso parece mágico.

Gamble: Eu vejo isso como destino, sim. Tem muita coisa sobre a série que, eu não quero parecer piegas, mas pareceu mágico muitas vezes.

Z: Tem algum episódio como um capítulo, ou há diversos capítulos em um episódio?

Gamble: Nós meio que mexemos um pouco com a linha do tempo dos livros. Uma das coisas mais importantes que você precisa saber, se você vem assistir a série sendo um fã dos livros, é que nós envelhecemos os personagens. Agora eles estão indo para faculdade. Quentin tem 17 quando você o conhece nos livros, e tem muitas razões para termos feito o que fizemos, e funcionou bem.  Lev Grossman abraçou as mudanças também. Por causa disso, a linha do tempo, a estrutura da educação é diferente. Nós temos vários impactos também. Só não na mesma ordem dos livros.

Z: Teve o fator Harry Potter na hora de envelhece-los, para não ser mais um mago criança/adolescente?

Gamble: Eu acredito que os livros são claramente, conscientemente inspirados de muitas maneiras por Harry Potter, As Crônicas de Nárnia entre outros.  Eu acho que parte do motivo de escrevê-las, para Lev foi poder pegar alguns desses clichês de fantasia e transforma-los do mundo infantil para dentro de problemas, e áreas da maioridade, onde o destino não é tão claro e ser um herói não é fácil e claro. Eu acho que isso é algo que começou nos livros, e nós estamos seguindo.

Z: A ideia de um magico ser tratado clinicamente por conta da saúde mental saiu dos livros, ou é algo novo na série?

Gamble: É bem claro quando você lê os livros, se você os lês minuciosamente, que Quentin é deprimido, e poderia ser diagnosticado com depressão. É algo que conversamos com Lev. Uma das partes divertidas de adaptar algo para uma outra mídia é como você realmente consegue aprofundar as coisas. Ficou claro para mim e John que esse garoto é deprimido. Ele tem problemas mentais reais. Vamos começar com ele em um hospital psiquiátrico, vamos lá e enfrentar de cabeça, fazer uma parte substancial desse personagem.

Z: Nesse mundo, você poderia lançar um feitiço da felicidade em si mesma?

Gamble: Tipo, como se tivesse um feitiço de Prozac? Talvez tenha. Eu acho que um mágico com talento suficiente poderia provavelmente fazer um feitiço assim, mas duvido que seria um feitiço permanente. Mais como se você bebesse uma bebida muito deliciosa e ficasse levemente alegre, tivesse uma noite maravilhosa, mas você certamente teria ressaca no dia seguinte. Esse é o tipo de mágica que funciona nesse mundo. Então você provavelmente tivesse um feitiço da felicidade, mas acordaria com uma furiosa dor de cabeça, super irritada e deprimida na manhã seguinte.

Z: Quanto tempo de recuperação seria preciso?

Gamble: Isso depende. Cada pessoa tem uma tolerância diferente.

Z: Existe uma regra estabilizada para feitiços de ressureição, se um personagem morrer?

Gamble: Existem regras sobre isso? [risos] Eu vou te dar um pequeno spoiler, digamos que nós vemos cadáveres levantarem na primeira temporada. Sim, nós levantamos os cadáveres, mas não temos todas regras para isso. Certamente, esses personagens irão enfrentar a morte durante a série, então essas serão questões que eles farão a si mesmos. É uma boa pergunta.

Z: Você tem que colocar algumas limitações na mágica para que exista drama, eles não podem simplesmente jogar um feitiço em tudo?

Gamble: Bom, mágica no nosso mundo é bem difícil de fazer. É bem árdua. Basicamente, você tem uma ou duas escolhas se quiser jogar um feitiço grande, importante, para mudar alguma coisa, como curar alguém em estágio terminal. Ou você tem sorte de uma explosão de energia aleatória, ou mais provavelmente você teria que ser um grande mágico que estudou por anos e anos. Existem muitos mistérios que precisam ser descobertos com o tempo. No nosso mundo, funções magicas são similares a ciência. Tem muito que um cientista experiente pode fazer, e há muita coisa que ainda não foi resolvida. Quebras cabeças que precisam ser montados.

Z: É como a magia de The Knick?

Gamble: Eu amo isso! Eu sou obcecada com a série. Eu amo a série. Apenas porque tudo é difícil e eles vão descobrindo à medida que vão indo? Eu amo que você esteja fazendo esse tipo de pergunta, porque são perguntas assim que nos perguntamos na sala dos escritores. Nós nos perguntamos, “ Você poderia fazer um feitiço que faça alguém se apaixonar? Poderia executar um feitiço que o faça mais bonito?  Poderia jogar um feitiço que, se alguém que você ama ficasse realmente doente, você poderia curá-lo se quisesse? ” Nós temos que ter um bom julgamento das consequências, o que um pouco de mágica custa? E em qual parte o custo é tão alto que a mágica não valeria a pena?

Z: Quais são uns feitiços casuais que não gastam muita energia?

Gamble: Nossos personagens fazem muita mágica sobre beber, fumar ou fazer sexo. Existem muitos feitiços sexuais.

Z: Existe um Viagra mágico?

Gamble: Claro. Você poderia imaginar um mundo onde um bando de mágicos homens não inventaria uma coisa assim?

Z: Você poderia ter feito mais de 13 episódios?

Gamble: Eu amo fazer 13. Como alguém que vem de uma rede de televisão e tem algumas longas temporadas na carreira, eu acho que 13 é um bom número. Você consegue expandir o roteiro. Você tem boas reviravoltas, mas não tem que diluir a história. Nós jogamos muito da história no público durante a primeira temporada.

Z: Quais eram as regras mágicas em Supernatural?

Gamble: Existiam muitas regras mágicas, mas em Supernatural existe, pelo menos no começo, nas primeiras temporadas, existiu o que nós começamos a reparar, na sala dos escritores, uma espécie de universo Judeu-Cristão. Existia céu e inferno, anjos e demônios. Era um playground bem divertido. O mundo de The Magicians é um pouco mais eclético que isso. A fonte da mágica, vamos assim dizer, é um pouco menos Judia-Cristã.

Z: Existe religião no mundo de The Magicians?

Gamble: Sim, existe. Na verdade, durante a primeira temporada você vai conhecer um mágico que considera a si mesmo um homem religioso, alguém que acredita em Deus. Porque os personagens na série são meio que universitários e intelectuais, eles entram em discussões e argumentam com ele sobre como acreditar em algo maior que si mesmo, como na fé.

Z: Há outros conflitos que não religiosos?

Gamble: No universo de The Magicians, um cara comum esperando o metrô provavelmente não sabe que está provavelmente parado diante de um mágico. Mágicos tendem a manter as coisas por debaixo dos panos. Eles andam entre nós. Para o mundo de The Magicians, talvez tenham cinco ou seis deles essa noite, mas eles não vão se anunciar necessariamente.

Z: Como pessoalmente você coordena a sala dos escritores?

Gamble: Eu gosto de uma sala pequena, cheia de pessoas com muitas opiniões. O que eu acho mais importante é criar uma atmosfera, que eu chamo de relativamente segura, onde as pessoas sintam que podem lançar a sua ideia, que pode ser brilhante ou estúpida. Vamos apenas brincar com isso. É como estar em um grupo de improvisação em que todos estão construindo em cima da ideia de alguém. É divertido. É uma atmosfera colaborativa, escrever pode ser solitário. É bom escrever com outros escritores.

Fonte: Z Stream Box